domingo, 9 de dezembro de 2012

Testículos: Dores e dúvidas!?!


Você costuma observar seus testículos? 

Então faça isso. Se notar algum aumento de tamanho, ligue o sinal de alerta. Pode não ser nada, uma simples inflamação ou um trauma causado por uma atividade esportiva, mas também pode ser um forte indício de que algo não vai nada bem. 

O aumento gradual e indolor da massa testicular pode indicar o câncer. Percebendo alguma alteração, o homem deve procurar um médico”, diz o oncologista Rafael Kaliks, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e diretor do Instituto Oncoguia. 

Mais de 90% dos casos têm cura, além de serem bem mais raros do que outros tipos, como os de próstata e de estômago.” 


Segundo o Instituto Nacional de Câncer, do Ministério da Saúde, apenas 5% dos tumores malignos ocorrem nos testículos, ou de três a cinco casos em 100 mil indivíduos. O que mais surpreende é que, diferente do câncer de próstata, mais comum depois dos 50, o testicular atinge homens mais jovens, entre 15 e 35 anos, 40 no máximo. 

Não existe uma explicação científica para a incidência nessa faixa etária. Não é uma doença com característica de hereditariedade. O câncer surge em decorrência de uma predisposição genética e por mutações genéticas ao acaso”, explica o especialista. O maior sintoma é o aumento da massa, já que, por ser pequeno, o nódulo é imperceptível pelo toque. Por isso, a recomendação médica é ficar atento a qualquer mudança de dimensão. “Normalmente, ela acontece lentamente, e o homem só procura o médico ao sentir alguma dor causada por um acidente”, afirma Kaliks.


É preciso tirar o mal pela raiz


O tratamento começa pela retirada do testículo doente, que não pode ser feita pela bolsa escrotal, mas pela virilha. “Antes de manipulá-lo, a primeira providência é fechar as veias que o drenam para evitar que as células malignas migrem para outras partes do corpo”, explica Kaliks. O tumor, então, é avaliado pelo patologista em termos de tamanho, invasão e grau de lesão (menos ou mais agressiva). Além disso, o paciente passa por uma avaliação da extensão da doença, para verificar se os gânglios não estão comprometidos. “Se a tomografia não mostrar nada e os marcadores forem negativos, o paciente não precisa mais de tratamento. Esse é o melhor dos mundos”, afirma o oncologista. 


Quando há qualquer risco de a doença ter se disseminado, por medida de segurança o paciente é submetido a ciclos de quimioterapia (de uma a três, a cada 21 dias). “A quimio mata todas as células que poderiam ter ficado no corpo. Um ciclo significa uma aplicação, que faz os glóbulos brancos caírem. É um período de morte celular de tudo o que cresce rápido, como as células malignas, o sangue, o cabelo; por isso há uma baixa imunidade. Mas se recupera tudo”. Passada essa fase, o paciente faz tomografias trimestrais, semestrais, anuais, até serem dispensáveis, o que acontece cerca de cinco anos depois da cirurgia.


E a cabeça, como fica?


Entre o diagnóstico e a cura, os cuidados vão além dos hospitalares. Um acompanhamento terapêutico é fundamental. “É uma doença que abala todos os aspectos da vida social”, observa a psico-oncologista Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, de São Paulo. O paciente escolhe se quer ou não o apoio psicológico, mas é importante que faça uma avaliação no início da doença. “Uma das primeiras orientações que damos é: prepare-se para muitos altos e baixos”, diz a psicóloga.

Os especialistas esclarecem todas as dúvidas e ajudam o doente a se preparar para o mundo novo em que vai entrar. “O câncer de testículo mexe muito com a questão da sexualidade, da impotência, da fertilidade”, diz Luciana. Há ainda a questão de como administrar a relação com a família – que sofre junto -, os amigos – contar ou não contar? – e a namorada – ela vai segurar a onda? “Vejo os jovens lidando de uma forma bem mais positiva com o câncer e quebrando aquele estigma pesado. Eles passam por um momento de profunda reflexão e revisão.



O sexo depois da cirurgia


Durante a quimio, a libido naturalmente diminui. Mas o fato de tirar um testículo não interfere na potência sexual, na ereção, a não ser emocionalmente. “Não tenho nenhum paciente que tenha ficado impotente depois de tirar um testículo. Não há qualquer tipo de seqüela sexual”, garante Kaliks. “Antes de iniciar os ciclos, é recomendável coletar esperma, porque a chance de ficar estéril é de cerca de 75%.

O paciente pode seguir normalmente com sua vida sexual, mas há alguns poréns relacionados a questões higiênicas. “Com o sistema imunológico baqueado, há maior risco de infecção. A camisinha é obrigatória nesta fase, porque a ocorrência de uma infecção pode ser fatal”, diz o médico.

Depoimento

Bruno Macário, 28 anos, gerente de marketing.

B. M., 28 anos, gerente de marketing.


“Em maio de 2007, num acidente doméstico, bati meu testículo direito, que começou a doer muito. Procurei um pronto-socorro, onde fui atendido por um urologista. Ele achou que poderia ser uma inflamação e receitou um medicamento. Comecei a tomá-lo, mas a dor não passava e notei que o testículo tinha aumentado de tamanho. Liguei para o médico, e ele me pediu uma série de exames – de sangue e imagem -, mas não fez nenhum comentário sobre a possibilidade de ser um tumor. Dei uma olhada nos resultados e notei uma alteração muito relevante no de sangue. Quando cheguei para a consulta, estavam lá dois médicos. Achei a situação estranha. Eles foram muito claros e seguros, me explicaram que eu tinha um tumor testicular, me mostraram a imagem – é uma manchinha.

Meu mundo caiu. Até ter certeza, eu não tinha contado para ninguém, para não fazer alarde. Prosseguindo com a conversa, os médicos me contaram que, como o testículo é muito vascularizado, manipular a bolsa escrotal para retirar o tumor era contraindicado. Corríamos o risco de espalhar células malignas para outros lugares do corpo ou até mesmo deixar algum resquício no próprio testículo. Por isso, era necessária uma cirurgia de retirada do testículo através de um corte da região da virilha (inguinal). Retirada toda a glândula, enviariam para análise pelo patologista. Na época, estava de malas prontas para viajar num feriado com os amigos, e até perguntei se dava para adiar a cirurgia por alguns dias. O médico alertou que seria brincar com a situação.


A retirada


“Entrei no hospital de manhã e saí à noite. A cirurgia retirou todo o testículo direito, e decidi colocar a prótese de silicone, muito mais por questões emocionais do que estéticas, porque sabia que não haveria qualquer alteração do ponto de vista sexual. Fiquei em observação durante um mês, nova bateria de exames, tomografia para descartar a existência de outros focos da doença. A análise do patologista diagnosticou o tumor maligno, um câncer de testículo. Como o testículo é uma região muito vascularizada, havia o risco de as células ruins terem migrado para outros lugares através dos vasos sanguíneos e linfáticos, por isso partimos para a quimioterapia por questões de segurança. Nenhum exame mostrava sinais de doença em qualquer outra região do corpo.


A quimio


“Passam várias coisas na cabeça: vou poder ter filho? Vou ter uma vida sexual normal? Meus médicos sempre me falaram tudo, me alertaram sobre a possibilidade de eu ficar estéril depois da quimio e recomendaram que eu coletasse esperma e congelasse. Era importante garantir a possibilidade de ter filhos no futuro e, para isso, teria que congelar o esperma. Foi o que fiz. De fato, hoje não posso ter filhos naturalmente, já que a quimioterapia interferiu de maneira irreversível na minha produção de espermatozoides, mas posso ter filhos graças ao material coletado.

No dia do primeiro ciclo da quimio, tive uma crise de choro. Nunca tinha passado um momento de desespero desse tipo. Mas, enfim, pensei: ‘Vai dar certo. Vamos acabar com isso’.

Na fase do tratamento quimioterápico, fiquei muito preocupado: a alimentação, qualquer corte na pele, gripe, tudo isso pode ser uma porta de entrada para uma infecção, já que a imunidade fica mais baixa que o normal. Uma vez, levei uma picada de um inseto que inflamou e fiquei internado por duas semanas, até que sarasse por completo. No final, tive náuseas e só queria ficar em casa quietinho. Recebia poucos amigos por vez, comia uma pizza e às vezes tomava uma cerveja.


O sexo


“No primeiro relacionamento depois da cirurgia, perguntei para a parceira se ela estava sentindo algo diferente. Ela disse que não. Então, expliquei que um testículo era de silicone e o outro não. Para ela, não havia diferença. Tudo volta ao normal. Claro que, durante o tratamento, a libido cai e você só pensa em se curar. A retirada do testículo não afeta em nada a potência sexual, o desejo. Nada.


O melhor momento


“Foi quando o médico disse que eu estava curado: ‘Siga a sua vida normalmente’. Isso aconteceu duas semanas antes da minha última viagem com o pessoal da faculdade. Eu perguntei: ‘Posso fazer tudo o que eu quiser?’ Ele respondeu: ‘Só tome cuidado, porque você é uma pessoa normal, então, sem exageros’. Foi o momento mais glorioso. Eu estava careca, nunca escondi a doença de ninguém. Fui embora. Todo mundo comemorou o fim da faculdade e a minha cura.”

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