domingo, 15 de maio de 2011

Os gossip boys

Nos últimos anos temos assistido uma profusão de novos talentos que a cada temporada desponta na cena pop, no cinema, séries de TV, ou apenas mais um personagem no zeitgeist dessa geração digital. Nomes como Zac Efron, Joe Jonas, Robert Pattinson, Ed Westick, Justin Bieber, Chris Colfer são cada vez mais sinônimos que pairam o imaginário de garotos e garotas do mundo inteiro, bem como capa de revistas e editoriais. A vida pessoal desses gossip boys, se é que podemos chamá-los assim, é acompanhada a exaustão por todos. Alçados ao posto de colunáveis, nunca se especulou tanto sobre o dia a dia deles. É como um efeito cascata. 

A capa de uma revista como no caso de Ed Westwick, ator da série Gossip Girl, pode gerar diversas campanhas publicitárias. O ator foi capa da GQ americana em julho de 2009, VMAN em setembro e da aclamada “bible of contemporary male style”, Arena Homme Plus. Assim, unindo essa exposição com uma dose de talento e circunstância, Ed Westwick passou a ocupar outro patamar: deixou de ser apenas um “gossip boy” para ser reconhecido pelo seu way of life. A vida conturbada dos jovens americanos, entre namoro, sexo, drogas e fofocas, viraram um símbolo deste tempo e eternizado pelas histórias do blog “Gossip Girl”, que na série homônima retrata o dia a dia de jovens abastados do Upper East Side de Manhattan, em Nova York. A série é um ponto de ignição cultural instantânea, que vai desde os tablóides até artigos nos jornais mais engajados, dada a sua influência. Gossip Girl é um divisor de águas para o “american way of life”, especialmente em Nova York. É o retrato de uma sociedade com a moral questionável e mostra que o espírito Sex In The City, que referendou uma época, já passou. Viva os 2000′s! 



Ed Westwick é adorado por muitos e criticado por tantos outros, é considerado uma dos atores mais influentes de sua geração. Seu estilo inglês, descolado, calça meio surjinha, destroyed jeans, camiseta surrada, faz parte do seu do it yourself. Num outro momento ele abusa das camisas xadrez, skinny jeans, cardigãns, jaqueta de couro e tênis. Se o assunto for noite e red carpet ele vai para o clássico, terno de corte seco, e acabamento impecável de alguma maison famosa. Mesmo com seu ar de inglês bonachão ele sem dúvida tem um estilo que marca.
 
A geração Z e o consumo autoral 

Não estamos aqui para discutir o valor moral e muito menos fazer concessões com relação ao calibre musical ou atuação desses personagens. O cotidiano, o happening ganhou nova configuração nesse tempo. Ainda que ao seu favor não tenha a qualidade técnica ou talento. A influência desse ídolos, atende as “Idades Performáticas” – conceito criado pelo sociólogo italiano Francesco Morace -, que se destinam. Que podem ser desde os posh tweens: pré-adolescentes entre 8 e 12 anos, cheios de informação, e com forte apelo de moda até os Expo Teens: jovens entre 12 e 20 anos que vivem por meio de códigos e tribos e são adeptos a várias estilos e linguagens. A influência direta na vida dos jovens é o viés mais interessante a ser observado. A “Z Generation”, é a geração que nasceu após os principais adventos tecnológicos da contemporaneidade, na segunda metade da década de 1990 e é hoje um dos maiores nichos de consumo no mundo. O estrato social da geração mais bem informada de todos os tempos é a profusão de ídolos que surgem a cada momento. Até porque se trata de um tempo de acontecimentos muito mais efêmeros e que mesmo que este influencie um período por si só não é auto-suficiente no derradeiro do tempo. Tudo isso é fruto da sociedade liquida definida pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman como um momento onde a interação entre os indivíduos está mais efêmera do que nunca, onde a auto-afirmação perante os demais nada mais é que a verbalização deste período. O sistema de valores está enfraquecido pelo sincretismo de idéias, nada é incontestável e tudo é visto numa perspectiva do momento. 

Justin Bieber despontou em novembro de 2009. Seu primeiro CD ganhou as proporções desse tempo, onde as informações viajam na velocidade da luz. Icone dessa geração Z, Bieber aos 17 anos já vendeu milhões de cópias, escreveu sua própria biografia, lançou um filme, “Never say Never”, além de um centena de shows, prêmios e incontáveis publicações em todo mundo. A revista Time de abril, na sua famosa lista: 100 Most Influential People for 2011 exaltou o fenômeno, classificando-o como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo de nosso tempo. No Google, no número de citações, ele só perde para Lady Gaga e Jesus Cristo: são aproximadamente 256 milhões. Chris Colfer, um pouco mais velho que Bieber, faz parte dessa mesma safra, que parece não apresentar sinais de crise. Colfer, que é gay assumido na vida real, vive Kurt Hummel na série Glee do canal Fox. Kurt também é gay e está no cerne de muitos conflitos sociais. A arte imitando a vida. Colfer também figura na lista da Time como um dos 100 mais influentes de 2011. 


Daniel Radcliffe, eternizado na série de filmes do bruxinho Harry Potter é outro que atingiu patamar alcançado por poucos. Lançado em 1997, os livros começaram a ser adaptados para o cinema em 2001 e desde então se tornou uma febre incessante. O ator que hoje está com 20 anos é um dos mais ricos do mundo com fortuna pessoal na ordem dos 80 milhões de dólares, segunda a Forbes. Seu estilo serve de inspiração para garotos do mundo inteiro, como sendo uma fórmula de sucesso, ou um meio semelhante para ter uma vida, mesmo que de forma idílica, esse sucesso que ele faz com as garotas. Atualmente, Radcliffe está tentando se desvencilhar da imagem do personagem, e constantemente pode ser visto fumando em público e saindo de uma balada bêbado. 
Os bons moços 

Zac Efron talvez seja uma das figuras mais emblemáticas dessa geração. Em 2006 quando estrelou High School Musical, série musical de sucesso instantâneo criada pela Disney, Efron entrou definitivamente para o mainstream. Formou com Vanessa Hudgens um par quase perfeito, e se não era perfeito talvez pela falta de talento, não importa, até porque simbolizou o ideal que agradava aos fãs da série. Para os mais engajados, ele perdeu parte do encanto, quando saiu na capa da Rolling Stones em 2007. Sua declaração de que na primeira temporada ele não cantava as músicas da série, ele tinha um dublê, causou descontentamento e mal estar, apagando um pouco a aura de retidão. Ele é a imagem de um período, onde o talento é sobrepujado pelo personagem. Troy Bolton, personagem vivido por ele tornou-se um “Don Juan”, ideal de beleza que garotas do mundo inteiro querem para si, e conseqüentemente a forma e o padrão como os garotos devem estar. Na série, Troy conheceu Gabriela, e na vida real isso se repetiu entre os atores, e desde então os dois viraram personagem dignos de Gossip Girls, com direito a brigas, idas e vindas e supostas traições. 


Os Jonas Brothers ganharam notoriedade em 2007, a aura de garotos bonzinhos, que usam o anel da pureza e acredita que sexo só depois do casamento, lembrou um “iê-iê-iê” dos anos 60. Em dia com as principais tendências, eles alcançaram o posto de It Boys. Sempre que apareciam na mídia, seja na rua, em shows ou entrega de prêmios, a roupa era sempre destaque. 


Os Jonas Brothers bem mais novos e igualmente estilosos 


Joe Jonas: o mais bem-vestido dos três 

Em 2010 os três apareceram no red carpet do Grammy Awards com elegantes costumes, Gucci, D&G e Lanvin. 


No Grammy em 2009 


No Grammy em 2010 Esse mosaico de estrelas, que surge a cada dia é a personificação desse novo tempo. Esta geração, como nunca antes se viu, é a sociedade de um tempo do consumo autoral, onde tudo se torna mais singular, efêmero e passa a definir as necessidades específicas de cada grupo. E essas necessidades não duram muito, como podemos notar!

Fonte: Homemmoderno

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