quinta-feira, 21 de abril de 2011

O uso de anabolizantes

Há muitos anos, alguns atletas usam anabolizantes com o objetivo de melhorar a performance, mas na última década observou-se um abuso na comercialização dos esteroides androgênicos anabólicos – os anabolizantes – que se disseminaram entre frequentadores de academias, mesmo entre os que não têm nenhum interesse em participar de competições esportivas, unicamente para melhorar a aparência física.


Os anabolizantes são substâncias que provocam no organismo o chamado anabolismo. Ou seja, o ganho de massa muscular através da retenção de íons e água. Tais substâncias passaram a ser utilizadas em grande escala na atualidade, mesmo com todas as informações já fornecidas sobre suas desastrosas consequências.

A partir da evolução recorrente desta prática, quando essas substâncias são ingeridas ou injetadas na corrente sanguínea, ao passar pelo fígado, a testosterona é metabolizada e tornada inerte. Para impedir essa inativação, surgiram no mercado cápsulas de liberação prolongada e preparações contendo modificações estruturais na fórmula da testosterona.

Doses fisiológicas de testosterona e seus derivados, como aquelas empregadas em homens com insuficiência de produção de testosterona, não exercem efeitos indesejáveis em homens normais. Por isso, quem abusa de anabolizantes é obrigado a aumentar cada vez mais as doses para obter o efeito desejado - exatamente como o fazem os usuários de outras drogas.

No início, o combate era apenas do ponto de vista esportivo, visto que essas substâncias eram enquadradas como doping e, portanto, proibidas pelas autoridades esportivas. Do ponto de vista estético, a cada dia eram utilizados indiscriminadamente não só hormônios, como também, supostas “dietas” e suplementos alimentares associados aos exageros em atividades físicas, que, com o passar dos anos, mostraram seus efeitos deletérios e suas consequências quase sempre drásticas.

Além disso, a indústria envolvida neste segmento procura a cada dia uma substância com maior efeito anabolizante e que cause o mínimo possível de danos à saúde do usuário – sobretudo no aspecto da saúde sexual. Condição longe de ser alcançado com eficiência.

Entretanto, especialistas alertam que independentemente dos avanços já conquistados, o uso crônico de substâncias derivadas do hormônio masculino, a não ser em portadores de deficiência do próprio hormônio, leva de alguma forma à impotência e infertilidade pela diminuição da produção de testosterona, e a atrofia testicular, muitas vezes irreversível.

Veja abaixo os principais mecanismos afetados em indivíduos que aderem, muitas vezes sem conhecimento de risco, a essa perigosa prática:

Comportamentais: São frequentes as queixas de agressividade exacerbada, irritabilidade, agitação motora e aumento ou diminuição da libido. Síndromes psiquiátricas e quadros depressivos podem surgir na vigência do uso de doses elevadas.

Endócrinos: É comum aparecerem lesões dermatológicas típicas de acne - principalmente na face -, atrofia dos testículos, calvície, impotência sexual, diminuição do número e da motilidade dos espermatozóides, redução do volume de esperma ejaculado, crescimento das mamas em homens, masculinização das mulheres e alterações na tolerância à glicose que podem desencadear quadros de diabetes em indivíduos predispostos.

Cardiovasculares: Retenção de líquido que favorece o aparecimento de edemas. Aumento da pressão arterial. Alteração no metabolismo que podem levar a aumento do risco de doenças cardiovasculares: aumento do colesterol total, diminuição de HDL ("bom colesterol"), aumento de LDL ("mau colesterol") e aumento de triglicérides.

Hepáticos: elevação das enzimas do fígado, quadros de icterícia e, mais raramente, câncer do fígado.

Musculoesqueléticos: Lesões osteomusculares por solicitação exagerada. Fechamento precoce das epífises, com consequente interrupção do crescimento dos ossos. Não existe tratamento específico para o uso abusivo de anabolizantes.

E o pior é que a prática, além de perigosa, gera um ciclo vicioso: como seus efeitos são passageiros e pouco expressivos em curto prazo, o indivíduo se torna cada vez mais dependente, uma vez que a interrupção no uso provoca a perda do volume muscular adquirido.

A irresponsabilidade no uso de substâncias anabolizantes chega ao absurdo de algumas pessoas buscarem medicações e substâncias de uso veterinário sem o menor estudo em seres humanos.

O que mais preocupa é o fato de que os mais atingidos por esses tratamentos são jovens e adolescentes, que não se importam com os riscos desde que seja atingido o resultado estético procurado.

Fonte: Homemcorpus

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