segunda-feira, 25 de abril de 2011

Melhore a flexibilidade e ganhe mais músculos

Existe uma idéia geral entre os praticantes de musculação de que os alongamentos servem apenas para preparar os músculos para a sequência de exercícios que serão realizados no dia. Dessa forma, se o treino é para os músculos peitorais e tríceps, a pessoa coloca o braço para trás e roda o tronco para o lado contrário e depois puxa o braço por cima da cabeça, mantém 20 segundos e está feito o alongamento! Por isso a musculação ficou com a má fama de causadora de retrações e encurtamentos musculares, e falar sobre flexibilidade e musculação é entrar em um campo minado.


Os benefícios da musculação são indiscutivelmente inúmeros, mas na maioria dos casos, os objetivos pessoais podem ser resumidos em hipertrofia para os homens e enrijecimento para as mulheres. É aí que a flexibilidade pode influenciar os resultados, gerando um longo período de estagnação, ou seja, apesar de tantos esforços, os homens não conseguem elevar as cargas e não conseguem ganhar mais massa muscular e as mulheres continuam com os músculos flácidos. Para entender a relação da flexibilidade e da força muscular é preciso entender alguns princípios básicos de fisiologia, biomecânica e neurofisiologia.

Para gerar contração muscular, as proteínas contráteis presentes no interior dos músculos devem deslizar umas sobre as outras, formando pontes transversas. A quantidade de força gerada no músculo depende da capacidade do músculo em formar pontes transversas adequadas, ou seja, o músculo deve funcionar como um elástico, encurtando e se alongando para gerar as contrações. No músculo encurtado, não há mais espaço para as proteínas deslizarem, e todas as pontes transversas necessárias para a geração de força já foram formadas.

Portanto, os músculos precisam de um comprimento e tensão adequados para manter sua força de contração ótima e também manter a mecânica corporal adequada para o funcionamento de outros músculos. Um bom exemplo é o aumento de tensão, fraqueza e dor na região lombar devido ao encurtamento dos músculos das costas (paravertebrais). Estes músculos normalmente estão alterados pelo desequilíbrio entre os músculos posteriores e anteriores da coxa e quadril, que geram um arqueamento excessivo das costas e diminui o comprimento dos músculos paravertebrais, que não conseguem mais gerar força e se tornam tensos e dolorosos. Este desequilíbrio também ocorre em outras regiões do corpo, gerando fraqueza dos músculos peitorais, ombros e nuca. O equilíbrio corporal e a manutenção de uma boa biomecânica dependem diretamente da flexibilidade.

Outro fator importante para a manutenção da força, ativação e enrijecimento muscular adequados, se deve a mecanismos de inervação dos músculos. A Lei da Inervação Recíproca de Sherrington explica que quando um músculo se contrai, o músculo contrário a ele (antagonista) se relaxa, permitindo um movimento bem controlado. A partir desta lei da neurofisiologia podemos concluir que um músculo encurtado de um lado, gera flacidez do músculo do lado contrário.

Coincidência ou não, os músculos normalmente encurtados na maioria das pessoas possuem antagonistas geralmente flácidos: bíceps braquial (anterior do braço) encurtado e tríceps braquial (músculo do tchau) flácido, paravertebrais (músculos das costas) encurtados e abdominais flácidos, músculos anteriores do quadril encurtados e glúteos (bumbum) flácidos, etc.

Portanto, se você é praticante de musculação, nunca sequer olhou para o quadro de alongamentos, costuma passar longe das cordas, rampas de panturrilha, barras de Ling (ou nem sabe do que estou falando) e está na fase de estagnação, está na hora de dedicar um tempo maior ao treino de flexibilidade!

Fonte: Homemcorpus

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