sexta-feira, 1 de abril de 2011

“Eu sobrevivi aos 50. VEM COMIGO!”

O risco está no nosso DNA de homem, é combustível que anima nossa existência. Mas nem por isso devemos perder seu tamanho de vista. Nosso repórter flertou com a morte a vida inteira e saiu vivo pra contar sua história. Leia seu relato e saiba driblar a chamada do além...
Quando eu tinha 15 anos, saía do colégio e atravessava a rua de olhos fechados. Os carros brecavam, os motoristas me xingavam. Se algum deles saísse do carro para me dar uma boa surra, eu já sabia que teria merecido. No dia seguinte, fazia a mesma coisa. Os pneus cantavam no asfalto, os motoristas abriam as janelas e berravam palavrões. E no dia seguinte eu fazia igual. Era impossível resistir à minha própria estupidez.

Deprimido? Suicida? De jeito nenhum. Tudo o que eu queria era chamar a atenção das minhas colegas. Algumas, eu queria namorar e fugir de mãos dadas nas passeatas contra o regime militar. (Eu estive pessoalmente em 1968). Era tímido demais para ir direto ao assunto. Preferia aparecer para elas arriscando a vida. Achava que elas iriam gamar por mim se eu me mostrasse um cara destemido. Subia em muros cada vez mais altos e saltava, mostrando que sabia pousar como um paraquedista. (A radiografia da minha coluna cervical hoje exibe dezenas de microfraturas causadas por essas demonstrações de heroísmo).

No fim do colegial fui com uma grande turma de amigos passar o fim de semana em Americana, no interior de São Paulo. Bebemos até a beira do coma alcoólico na primeira noite. No dia seguinte comemos três pratos de arroz, feijão e peixe cada um. Em seguida o pessoal decidiu atravessar a represa. Eram uns 150 metros de margem a margem. Eu sabia nadar razoavelmente. Mas não tinha muita resistência física. Cheguei ao outro lado em último.


VIVA MAIS
1 NÃO ESQUEÇA A VITAMINA D
Uma pesquisa suíça mostrou que quem mora em altitudes mais altas tem uma chance 22% menor de morrer do coração. Por quê? A proteção ao UV é menor, e conseguimos mais absorção de vitamina D. Como exposição solar pode trazer os problemas que você já conhece, é melhor digerir mais alimentos ricos em vitamina D (como peixes e frutos do mar). Para os que não comem carne, temos o leite, os ovos e alguns queijos como o suíço. Outro caminho é o suplemento vitamínico.


2 PARE DE GALINHAR
Relacionamentos estáveis (além de amizades duradouras) fazem a expectativa de vida aumentar uma média de 3,7 anos, segundo pesquisa da Universidade Brigham Young (EUA). As diversas formas de apoio social aumentam nossos sistemas de imunidade.


3 ESCOVE BEM OS DENTES
É sério. Dentes maltratados podem virar casos sérios de infecção. Bactérias criadas lá se misturam facilmente à corrente sanguínea. Uma pesquisa britânica identificou que quem escova os dentes menos de duas vezes por dia corre um risco 70% maior de ter uma doença cardíaca do que quem escova três vezes ou mais. Pelo menos uma vez por dia é necessária uma limpeza completa com fio dental, escova interdentária e enxaguante bucal (se possível sem álcool).


Enquanto tentava recuperar o fôlego, a turma decidiu voltar. Fui ficando para trás, cada vez mais para trás. Cheguei ao ponto de não conseguir dar mais nenhuma braçada. Mas era macho o suficiente para não gritar por socorro. Afundei. Dois amigos resolveram olhar para trás antes de entrar em casa. Koji e Roberto. Por causa deles é que estou aqui hoje lembrando daquela tarde.

Veio depois a primeira faculdade, de ciências sociais na USP. Foram três anos arriscando a vida dia a dia em nome da revolução. Cada noite nesses três anos passei pelo Rei das Batidas, bar de onde saía bêbado no meu fuscão vermelho. Eu apagava a 100 por hora na Marginal e acordava mais adiante. Apagava, acordava. Cérebro estroboscópico. Imortal em meus pensamentos. Indestrutível como um super-herói.
Fui estudar jornalismo. Passei a beber de manhã. Sempre, em qualquer lugar alguém tinha uma ou duas carreiras de cocaína para oferecer. As festas aconteciam ao redor de notas de 1 dólar enroladas como um canudo. Acabou a faculdade.

Mas o pó continuou pairando em nossa vida, as festas contavam agora com engradados de álcool. O sexo, que era tão difícil no colégio, fugiu ao controle. Foi a era pré-aids. Eu morava com amigos. As meninas que entravam naquela casa transavam com um de nós, e provavelmente transariam com outro, e talvez ainda com outro. Camisinha? Era para os trouxas. De vez em quando alguém pegava gonorreia e entrava na penicilina. Aí tinha que parar de beber por um tempo. (Mas o médico não falava nada contra cheirar…) Essa corrida para o túmulo acabou no dia em que estive num cartório de Fortaleza assinando o documento de paternidade do meu filho. O mundo passou a rodar em torno de outro eixo. Olhei a vida com outros olhos. Logo teria que administrar a morte do meu pai. A farra tinha acabado. E eu sobrevivi a ela.

O fato é que quase todos nós, machos da espécie, vivemos um período na vida em que flertamos seriamente com a morte. Segundo Sigmund Freud, o pai da psicanálise, o homem convive permanentemente com a pulsão de vida (tendência à autopreservação) e com a pulsão de morte (inclinação à autodestruição). “A sensação provocada pelo risco – incluindo a consciência do perigo de morte – é um fator de excitação ligado ao instinto de sobrevivência”, diz Jacob Pinheiro Goldberg, doutor em psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. “Ao mesmo tempo que a ideia da morte aterroriza e amedronta, ela seduz e fascina.” Nosso flerte fatal pode ter muitos focos. Excesso de testosterona. Autoafirmação. Imaturidade. Os números do Ministério da Saúde são claros: homens de 20 a 29 anos morrem quatro vezes mais que mulheres da mesma faixa de idade. Uma avaliação simplista diria que nessa fase (um pouco mais jovens, um pouco mais velhos) somos quatro vezes mais estúpidos que elas.

Morremos basicamente por causa das chamadas “causas externas” – em duas palavras, acidentes e violência. “Causas externas” representam 66,3 óbitos a cada 100 mil habitantes. Como um todo, os homens morrem cinco vezes mais que as mulheres (112,4 e 21,6 respectivamente para cada 100 mil).

7 NÃO BRINQUE COM SUA AZIA
Propagandas de antiacidos adoram mostrar pessoas meio abobalhadas que se entupiram de comida e alcool e que passam a mão no ventre dizendo algo como “Acho que eu exagerei”. Ai eles tomam algo borbulhante e voltam a ser felizes. Pois azia constante pode ser sinal de refluxo gástrico – que em casos extremos pode levar a um câncer no esôfago ou a um ataque do coração. Trate seu mal-estar com seriedade, e comece pelos seus hábitos alimentares.


8 PREPARE-SE PARA O PIOR
Quantas pizzarias estão registradas em seu celular? E serviços de ambulância? A chance de sobreviver a um enfarte ou um AVC depende da rapidez do atendimento. Planeje seu atendimento de emergência. Anote os detalhes, entregue as pessoas próximas. Carregue na carteira (junto com a carteirinha do convênio) as três informações básicas: 1) tipo de sangue; 2) medicações que você toma regularmente; 3) alergias.
(Eu já tinha quase 30 anos num fim de semana no Guarujá quando virei muitas doses de tequila com um amigo. Tomei um banho, enrolei uma toalha e fui me juntar a ele no parapeito do prédio. Dois perfeitos idiotas com os pés molhados numa plataforma de 30 centímetros a 12 andares da calçada. Uhu! Esse meu amigo acaba de morrer, antes dos 60). “Causas externas” incluem rachas na estrada, provocar mulheres dos outros em bares cheios, não levar desaforo para casa, dirigir colado no carro da frente, praticar esportes radicais achando que capacete é frescura. Achar que “dá” quando não dá. É o rush a qualquer preço. A suspensão da consciência.

Em 2008 morreram 1 062 842 de pessoas no Brasil. Desse total, 133 644 (12%) foram pelas tais “causas externas”. Acidentes e crimes só perdem para doenças do aparelho circulatório e para as diversas formas de câncer. De cada 100 vítimas dessas causas externas, 83 são homens. Ocupamos 70% dos leitos hospitalares, reivindicamos 65% dos atendimentos por emergência por causa de irresponsabilidades – nossas e dos outros. Qual a principal “causa externa”? Agressões (40,6%), especialmente com armas de fogo. É a briga na balada, a fechada no trânsito, a exibição de poder. O assalto e a reação ao assalto. Uma quantidade enorme de homens morre em botecos de periferia depois de encher a cara de cerveja e sentir o peso de suas próprias frustrações. Dos 15 aos 19 anos nossa possibilidade de morrer com uma bala aumenta bastante, mas o pico vai dos 20 aos 39.

O segundo lugar entre as mortes violentas está no trânsito: 30%. Aí conta a trágica permissividade e irresponsabilidade com relação ao modo com que os brasileiros se comportam nas ruas e nas estradas. Sem policiamento, com leis frouxas e corrupção generalizada, a situação não podia ser outra. Metade das vítimas/causadores de acidentes de trânsito estava entre 20 e 39 anos. Antes e depois dessa faixa, a maior parte morre como pedestre. Dos 20 aos 39, assumimos o comando dos carros e motos e saímos matando num festival de irresponsabilidade sangrenta.

Nós, os machos, estamos morrendo de uma maneira além da estatisticamente razoável. Por quê? Somos mais estúpidos que as mulheres? Ou somos movidos pelos instintos mais primitivos? Milênios de civilização anularam nossos impulsos de caçador? Somos trogloditas de jeans ouvindo o chamado ancestral de proteção da tribo? Ou nossa testosterona estaria cobrando o preço pela vida em sociedade? Nascemos nós, homens, para depositar nosso esperma em várias mulheres por dia, como manda às vezes nossos instintos mais secretos?

Estaremos pirando com essa impossibilidade? Não há respostas simples. O fato é que durante uma determinada fase de nossas vidas nós flertamos com a morte e de vez em quando nos casamos com ela. Queremos uma emoção impossível, um rush, o sabor sangrento de uma vitória contra outro macho.
Quando meu filho virou adolescente, meu primeiro medo foi que ele me repetisse. Esperei com uma certa ansiedade o momento em que ele enfrentaria a era do risco. Contei a ele muitas e muitas vezes minha história na represa de Americana. Repeti, como um mantra: não se arrisque só para provar que é macho. Funcionou.
Tirando alguns porres nos tempos de faculdade, ele soube passar por essa fase muito mais sábio do que eu fui. Aos 26 anos, ele já passou para a fase seguinte: a consciência da presença da proximidade cada vez mais constante dela mesma, a respeitabilíssima Dona Morte. Afinal, já a partir dos 40 anos ele vai ter 50% de possibilidade de desenvolver um problema cardíaco. Você sabe quantos homens morrem do coração sem mostrar qualquer sintoma antes? A metade. Aí, temos duas opções: ou fingimos que ela não existe. Ou aprendemos a enganar a ilustríssima senhora. Claro que sempre existirá o imponderável, a fatalidade, o descuido. Mas existem também maneiras de se desviar das causas mais comuns de morte de homens adultos. E isso vai além do óbvio, exames regulares no médico e deixar de fumar.

Ao longo deste texto, vai uma lista de 12 conselhos que servem para meu filho e para mim. São formas simples e às vezes incrivelmente prazerosas de manter o espectro do fim o mais longe possível. Volte lá e leia a lista do começo. Você corre o risco de curtir muito.


9 IRRITE-SE AOS POUCOS
Temos muitas chances de ter ataques de raiva com a vida que levamos. Uma fechada no trânsito, um imposto inesperado, um desgosto familiar… Acessos de fúria exigem demais do sistema circulatório – não é a toa que a imagem do cara raivoso e uma grande veia pulsando na sua testa. Um único piti pode provocar uma doença séria do coração que se transforma numa bomba de tempo. Não existe saída para isso a não ser desmontar uma bomba por dia. Num dia pague aquela multa, no outro limpe a caixa de e-mail, no outro discuta a relação com a parceira.


10 MOTIVE-SE
É redundante repetir a importância dos exercícios físicos no bem-estar e na prevenção de doenças. O problema é a motivação. Pois invente a sua. Não há fórmulas prontas. Use suas músicas favoritas nos fones. Use o Google Maps para traçar suas rotas e bater recordes. Prometa-se algo (não tão calórico) para se premiar por metas alcançadas.


11 BEBA MAIS (ÁGUA)
Quem bebe 8 copos de água por dia tem a metade da chance de um ataque cardíaco do que quem bebe 2 copos ou menos.

12 GOZE MAIS
Cientistas de Harvard (EUA) calculam que um homem que ejacula 21 ou mais vezes durante um mês tem um terço de possibilidade de câncer na próstata do que outro que ejacula de 4 a 7 vezes.

Acesse o Artigo original aqui

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