sexta-feira, 1 de abril de 2011

Caverna nunca mais

Traga seus amigos brucutus para a atualidade: mostre que dar um upgrade na lata deixou de ser crime
Anos atrás, o cara que era bonitão tinha sempre que dar uma enfeada na fachada. Isso, claro, se quisesse: a) ter vários amigos (era preciso vencer a inveja e a insegurança dos colegas); b) evitar a fama de gay (até mulheres tinham essa impressão); c) ganhar a imagem de um cara inteligente (beleza era sinônimo de QI baixo) e humilde (então qualidades fundamentais no campo social e sexual). Muito do comportamento do jovem médio dos anos 70, 80 e até dos 90 – década em que os brucutus renasceram (hooligans etc.) – era este: um cara bonitão só era “legal” se se apresentasse como “vítima” da conspiração genética dos pais.
Tive dois amigos assim. Viviam enchendo a cara, passavam dias sem lavar os cabelos, engordavam sem pudor. Beleza masculina entre nós, caras de classe média, só era permitida aos rock stars, de quem copiávamos grosseiramente as roupas ripongas e o espírito libertário. Tínhamos uma crença de que estaríamos salvos no campo do sexo se fôssemos inteligentes, charmosos e ousados – éramos quase insolentes. Ganharíamos mais alguns pontos se fôssemos fortes na birita, viajássemos bastante e tivéssemos um mínimo de senso estético para combinar T-shirt branca com jeans. Se articulássemos alguma sacada legal para discutir com amigas e namoradas o Down by Law do Jim Jarmusch, então, era a glória.
Anos atrás… Ufa! Graças ao santo pai Tempo, “anos atrás” ficou na poeira. Hoje, aquela inclinação brucutu do passado é coisa de dinossauro – por inclinação brucutu leia-se não a busca de inteligência intelectual, claro, mas a rejeição da beleza. Pergunte numa mesa de bar se seus amigos não querem ficar mais atraentes. A maioria vai responder “já”, sem culpa, sem neura. Claro, ainda há milhares de brucutus entrincheirados por aí – mas parece que a mesa de bar já não é o bunker por excelência desse contingente. Embora já estejam usando até condicionador, ainda militam seguindo a velha cartilha de que macho que é macho deve ser peludo e jamais falar a palavra hidratante em causa própria.
Se você tem amigos dessa tribo – tenho alguns ainda –, aqui está uma Men’s Hea lth para presenteá-los. Os 163 truques do Especial Cuidados Pessoais – ideias, soluções, produtos – vão mostrar a eles que, hoje, para ser um cara legal (leia-se, ter mais sexo, autoestima, emprego melhor, mais amigos e menos úlcera), não precisamos fechar os olhos para um padrão de beleza abençoado – nem buscá-lo como vítima desses novos tempos de ditadura da estética. Nas 20 páginas desta grande reportagem, Gabriela Comis e Marjorie Zoppei mostram que para você ser um cara legal, bonitão, seguro, com mais chances de aproveitar o acaso ao topar com uma deusa na frente, bastam informação de qualidade e cabeça aberta. Duas coisas que, se você está lendo estas linhas, ao contrário dos meus dois amigos dos anos 80, você já tem.
Acesse o Artigo original aqui

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